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| Dotz Marketing |
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| 26 de agosto de 2004 |
| Entrevista para Catho -
EMPREENDER E NÃO DESISTIR |
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Roberto Chade, 31 anos, é o idealizador do mais amplo programa de fidelização do Brasil, a Dotz. Criando uma moeda que funciona nos principais players da Internet nacional e também além do mundo virtual, Chade tornou-se uma referência quando se trata de empreendedorismo. A Dotz foi um dos casos raros de sobrevivência da crise das pontocom, funcionando operacionalmente no azul e com grande parte dos negócios gerados no mundo off line.
Para contar sobre sua jornada no competitivo ambiente dos negócios, sempre com muita vontade e iniciativa, Chade recebeu a reportagem de Carreira & Sucesso com uma simplicidade e simpatia notáveis.
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Confira a entrevista:
Carreira & Sucesso Vamos começar falando um pouco sobre você. Sempre quis fazer Administração?
Roberto Chade Na verdade, eu não me lembro muito bem porque eu fui fazer Administração de Empresas (risos). Meu pai é advogado. Somos em quatro irmãos, o primeiro virou engenheiro, o segundo fez Direito. Sou o terceiro... sempre gostei de negócios, mas acho que foi mais por exclusão, para ser bem franco. Não queria ser médico, não queria ser engenheiro, não queria ser advogado... A Administração me pareceu ser uma coisa genérica, mais abrangente. Mas acho que foi uma decisão muito boa.
C&S Ter escolhido esse caminho ajudou desde o começo?
RC - É. Antes de eu entrar na faculdade, meu pai tinha um terreno numa área de São Paulo que estava meio que abandonado. Como eu disse que ia fazer Administração, um dia ele me levou até lá e perguntou se eu não queria montar um estacionamento ali. Eu achei legal. Não tinha a menor idéia do que era nada: não sabia o que era um banco, uma empresa, nada. Foi a minha primeira grande escola, porque eu só tinha um terreno baldio. Foi a primeira vez que eu tive que contratar alguém, que eu tive que entrevistar alguém. Tive que ir a um banco abrir a conta da empresa, tive que ir até uma gráfica e entender o que era uma nota fiscal... foi um doutorado antes de entrar na faculdade.
C&S Tudo isso e nem estava na faculdade ainda...
RC Foi no período entre prestar o vestibular e começar as aulas. Quando começou a faculdade eu já estava com o negócio correndo. Foi um estágio forçado muito legal. Foi maravilhoso fazer tudo aquilo e o estacionamento existe até hoje e continua sendo nosso, há 14 anos. Foi muito bom porque eu nunca quis entrar no ramo de estacionamentos, mas lá eu comecei a entender o que era concorrência e como lidar com ela, sobre a necessidade de promoção...
C&S Como foi a evolução depois dessa fase?
RC - Entrei na faculdade e tinha uma idéia de que era importante trabalhar em uma grande empresa. Eu queria conhecer logo o mundo corporativo. Aí, fiz algo que não é muito comum: consegui um estágio no primeiro ano. Trabalhei durante um ano na Trevisan, na área de consultoria e, como desde aquela época, me incomodava deixar minha empresa sozinha, mas eu sabia da importância daquela experiência. Mas aí surgiu a oportunidade de criar a Empresa Júnior do curso de Administração da ESPM. Eu fui da segunda turma desse curso lá, então tudo estava sendo feito. Como eu já havia passado pela Trevisan em consultoria e eu pensava que essa área seria um aprendizado maior para mim. Então, no segundo de faculdade, eu saí da Trevisan e fui ajudar a montar a Empresa Júnior.
C&S Como foi essa experiência?
RC Foi muito legal, era um negócio de molecada só, mas tinha um lado profissional forte e envolvia um relacionamento com os alunos, professores e a faculdade. Passei um ano fazendo isso e depois fui para a Andersen Consulting, porque achava que precisava passar ainda mais um tempo no mundo corporativo. Eu havia decidido que queria ficar em consultoria, porque transitava por várias empresas diferentes e conseguia um ótimo aprendizado.
C&S Nessa época você já pensava para onde iria depois? Onde pretendia chegar?
RC Não. Eu tinha uma idéia muito importante que era a de criar alguma coisa. Mas não tinha a menor idéia do que seria. Nessa época, eu tinha um plano que era o seguinte: vou trabalhar em consultoria uns dois ou três anos ainda, depois vou para fora estudar, volto e estarei preparado para montar alguma coisa. Esse era o objetivo. Mas as coisas nem sempre acontecem como pensamos (risos).
C&S O que aconteceu de diferente no seu caminho que mudou os planos?
RC Bom, trabalhei dois anos como estagiário na Andersen e no final do último ano, surgiu uma outra oportunidade: um terreno na Zona Leste de São Paulo. Uma cliente do meu pai, que é advogado, era dona desse terreno e eles ouviram dizer que aquilo poderia ser um posto de gasolina. Era um terreno bem grande... Meu pai perguntou se eu não queria dar uma olhada. Eu fui olhar o negócio e, no fim, fizemos um acordo com a dona do terreno para explorarmos ali um posto de gasolina por um tempo. Esse foi então um negócio bem maior, porque participei da negociação com a Shell, da construção do posto e depois, da operação, por dois anos. Foi algo forte para mim, que no estacionamento tinha dois ou três funcionários e passei a ter trinta, uma grande evolução (risos). Foi minha primeira experiência com um negócio maior, com mais gente.
C&S Você saiu da Andersen para cuidar do posto?
RC Não, isso foi no final do quinto ano da faculdade, então o que eu fazia: como o quinto ano era de projeto, tinha apenas uma aula por dia. Então eu ia para a faculdade de manhã, ficava das 7h30 até umas 8h30, 9h, ia para o posto e ficava até 13h, 13h30 e ia para Andersen, onde eu fazia estágio e podia chegar às 14h. Passei o último ano assim e foi muito legal, porque foi uma baita de uma experiência e acabou culminando na venda do posto. E a idéia era essa: fazer, esperar, fazer rodar o negócio e vender. Aí eu já tinha sido mordido pelo empreendedorismo (risos).
C&S Qual foi o próximo passo?
RC Me formei e resolvi que ia passar uns três ou quatro meses estudando fora. Fui para os Estados Unidos, fiz um curso de especialização em Marketing e Planejamento Estratégico em Harvard. Fiquei quatro meses lá. Nessa fase, minha idéia era voltar para o Brasil, trabalhar mais uns três anos em consultoria e voltar para fazer um MBA. Enquanto eu estava estudando em Harvard conheci muita gente. Quando voltei ao Brasil, um pessoal com quem eu estudei me convidou e eu fui para a A.T Kearney. Fiquei lá mais ou menos um ano. Nesse período, essa vida de consultoria passou a me incomodar muito, no sentido de que você só vai até um ponto. Você planeja tudo, mas na hora de fazer o negócio acontecer, vai embora. Isso começou a me incomodar bastante. E aí comecei a pensar no que fazer. Essa iniciativa é algo que vem do meu pai também.
C&S Qual a influência do seu pai nesse processo?
RC - Meu pai é advogado, saiu de uma cidade do interior daqui de São Paulo. Ele saiu cedo de casa, aos 15 anos, para estudar em Campinas-SP e depois foi para o Rio de Janeiro-RJ e se formou lá como advogado. Depois de formado, ele participou de processos seletivos e passou no Citibank. Na época era algo muito bom, meu pai ficou super feliz e a primeira coisa que fez foi voltar para a cidade dele para contar para o meu avô. Meu avô chegou para ele e disse: filho, você saiu tão cedo de casa, se fosse para você voltar aqui e falar que ia ser bancário, eu te arrumava um emprego no banco aqui do lado. Não te preparei para isso. Meu pai, então, abriu mão do emprego e de um salário que representava um dinheiro que ele nunca tinha visto na vida. Como resultado, meu pai nunca foi empregado. Sempre teve o escritório dele, começou pequenininho, foi crescendo... Acho que muito de mim vem de ouvir sempre sobre isso. Meu pai nunca forçou nada, mas essas idéias acabam sendo incorporadas e ajudam. Porque eu sei que na hora de escolher um caminho, terei apoio.
C&S Como foi então a mudança, de consultor para empresário?
RC Enquanto eu estava na A.T Kearney surgiu a idéia de montar uma empresa de mídia. Através de alguns contatos, há sete anos, houve a oportunidade criar uma empresa de mídia em táxis, a Taximania. Então, durante uns seis meses eu fiquei na Taximania dentro da A.T Kearney, enquanto via se o negócio era realmente viável. Com seis meses, o negócio ainda não estava bem, mas estava criando fôlego. Se eu não saísse, o negócio não ia para frente. Saí em 1997, montei a Taximania, uma empresa que está aí hoje e que tem um caminho bastante produtivo, nós já vendemos um pedaço, depois compramos de novo. Funciona como uma operação bastante redonda, mesmo operando num mercado muito instável. Durante o período de Taximania comecei a me envolver com essa história de fidelização, marketing de relacionamento, sempre gostei muito disso. Em 2000, ainda na fase da bolha da Internet, resolvi formatar a Dotz.
C&S O período de lançamento da Dotz foi de bastante agitação no mercado de Internet...
RC Foi em outubro de 2000 que começamos, no final da bolha, a pior fase. Mas isso foi muito positivo, porque administramos a Dotz sabendo que aquela questão toda, de valores irreais não existia. Eu tive que começar direito.
C&S Vocês chegaram logo depois de uma fase em que todas as regras da administração haviam sido quebradas.
RC Exatamente. E quem começou nessa fase teve muita dificuldade de se adaptar.
C&S Poucos sobreviveram...
RC Acho que nossa grande sorte nesse processo foi começar depois. Já tinha que começar adaptado à realidade, sem aquela questão do mundo irreal que por um tempo prevaleceu.
C&S Vocês tiveram algum investidor logo de início?
RC Nós íamos ter. Foi um momento muito importante na nossa vida... Antes de lançar a Dotz, estávamos negociando um aporte de capital. Chegamos a ter uma proposta de um fundo de investimento de um valor grande. Mesmo depois da bolha eles resolveram continuar no mercado. Só que eles resolveram mudar as condições do negócio, em função do que havia acontecido na bolha. E a gente, numa decisão muito delicada, que eu não vou saber se foi certa ou errada tendo a achar que foi muito certa, abrimos mão do investimento. Mesmo sabendo que ia fazer falta. Sem dúvida nenhuma fez falta, mas o modelo de negócio que eles queriam não ia funcionar. Tanto que de todas as empresas em que esse fundo investiu naquela época, nenhuma sobreviveu. Resolvemos seguir o nosso caminho. Conseguimos depois um pequeno investidor, que comprou 5% da empresa só e que continua até hoje com a gente, mas num valor muito pequeno. A gente vai indo num caminho só nosso mesmo.
C&S Seguir um caminho só de vocês te deu mais liberdade de ação para levar o negócio?
RC Com certeza! A gente tinha um plano que, se tivéssemos alguém junto, o plano seria desvirtuado. O fato de estar sozinho me permitiu ser fiel ao que eu acreditava. Com muito mais dificuldades, porque é muito mais difícil sem o dinheiro. A velocidade de conseguir as coisas talvez tivesse sido maior se tivesse um investidor.
C&S Você acha que essa dificuldade toda fez a empresa ser mais eficiente hoje?
RC Não tenho a menor dúvida. Quando você tem uma empresa que não tem o luxo de todos os recursos, você pode errar muito menos. Você passa a ter um tipo de comportamento diferente. Por outro lado, além de errar menos, você precisa arriscar muito mais também, senão não sai do lugar. O empreendedor precisa saber medir os riscos. Tem que errar pouco, mas ser agressivo, sem trabalhar não sai do lugar.
C&S Como foi o início da Dotz?
RC Fomos sempre muito fiéis à nossa estratégia, muito focados. Sabíamos muito bem o que queríamos desde o primeiro momento. Eu queria me consolidar dentro do mercado de Internet, queria ser o player de fidelização da Internet. Foquei só isso, com a criação da marca da moeda Dotz. Era importante criar essa moeda. Apesar de termos uma série de tentações por diversos lados, fomos muito fiéis. Isso foi muito positivo, porque outras empresas que tentaram entrar nesse mercado, quando viram que nós estávamos muito fortes, desistiram. A gente ficou sozinho no mercado, o que foi muito bom nesse primeiro momento. Os dois outros anos foram mais complicados por causa do crescimento. Passamos de uma empresa de dez pessoas, para uma empresa de 40, 50. Esse é o momento mais crítico de uma empresa, quando ela deixa de ser pequena.
C&S Porque, até ali, as coisas eram facilmente controláveis...
RC É... você deixa de ser pequeno, mas ainda não é uma corporação.. É um momento delicado, que até hoje vivemos. Nós ainda não demos aquele salto que queremos dar. O negócio é sólido, vem crescendo... está caminhando bem. Mas ainda não dá para dizer que chegamos aonde queremos chegar.
C&S Um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas nessa fase de crescimento acelerado é conseguir manter a qualidade nos serviços. Como vocês passaram por isso?
RC - Essa foi uma dificuldade, com certeza. Principalmente porque no começo as tentações vieram muito de leve, mas depois não... a gente acabou cedendo às tentações. Nós passamos dois anos em que abrimos muito o leque. Isso fez com que a gente perdesse o foco de qualidade em alguns segmentos. Mas a gente percebeu e voltou. É o que está acontecendo agora .
C&S A fase hoje, qual é?
RC A minha primeira idéia era de desenvolver o negócio, colocá-lo de pé, gerir durante um tempo e depois colocar uma equipe executiva para tocar. Onde eu acho que agrego mais é no desenvolvimento e na administração inicial. Mais do que no dia-a-dia. O Dotz, a gente achou que estava nesse estágio já, quando tomamos a decisão no ano passado de diversificar um pouco e colocar um executivo aqui. Mas a estratégia acabou não sendo tão boa quanto a gente imaginou. Essa questão de diversificar não foi tão adequada quanto imaginávamos no começo e então resolvemos dar um passo para trás e focar no modelo de negócios inicial. Lógico, não estamos com as mesmas características do começo, mas eu estou encarando a Dotz hoje como se estivesse começando do zero. São outras proporções: mais clientes, muito mais base... mas para chegar onde tem que chegar, para sair de uma empresa média para ser uma empresa grande, tenho que encarar como se estivesse no zero. Foi para isso que eu voltei.
C&S Essa foi a etapa em que você esteve fora?
RC Eu fiquei ainda cuidando no aspecto de conselho da Dotz. Não estava como presidente, no dia-a-dia, mas estava no conselho. Eu acabei comprando um pouco mais da Taximania onde não estou no dia-a-dia, mas acabei criando alguns projetos especiais lá dentro. Foi algo importante também, porque era uma empresa que estávamos um pouco afastados. E dentro do nosso grupo familiar, temos alguns outros negócios, e eu acabei ajudando neles. Mas eu fiquei mais numa posição de retaguarda.
C&S Seu perfil é mais de ficar cuidando do que está por trás?
RC - É o que gosto de fazer e o que acho que faço um pouquinho melhor (risos). Pegar algo que não existe e conseguir estruturar, colocar de pé e ter um certo destaque é algo que eu consigo fazer e gosto de fazer. Agora, ser o tocador, depois que a empresa já esta montada, não sei se tenho o perfil correto. Porque eu tenho um perfil de fazer. Eu sei que delego muito pouco, cruzo a linha. Sou o tipo de pessoa que delega uma tarefa, mas se deu dez minutos e não voltou, eu vou lá e faço. Isso num primeiro estágio de desenvolvimento é fundamental, senão não anda. Mas depois é complicado. Eu ainda estou aprendendo, acho que é importante. Preciso ter a capacidade de delegar e saber cobrar. Até pouco tempo atrás eu não tinha essa noção de que eu não sabia cobrar. Eu sei fazer. Tenho o perfil de conseguir construir. Estou aprendendo a ter outras qualidades que um tocador de empresa tem que ter.
C&S Que competência você daria destaque em sua carreira?
RC Eu sou um cara que consegue colocar um negócio de pé. Tenho a habilidade de juntar as peças todas do quebra-cabeça. Mas a gestão do dia-a-dia é algo que tenho que aprender muito, estou melhorando com o tempo. É a experiência.
C&S - Você acha que isso possa ter vindo do seu histórico de consultoria?
RC Talvez. Porque eu sempre estava do outro lado...
C&S A Dotz agora tem um cartão de crédito. Acredito que isso tem sido um salto bem forte...
RC Foi mesmo, porque desde o primeiro momento a gente sempre quis mais. Começamos pela Internet, mas nunca quisemos ser vistos como uma empresa de Internet.
C&S Por quê?
RC Porque meu negócio não é Internet, é fazer programas de fidelização para empresas. Não interessa onde ela esteja. A empresa quer reter clientes e eu acredito que faço isso bem-feito. Nós começamos na Internet como estratégia, mas o objetivo nunca foi ficar só nisso. Mas eu não podia falar para as pessoas que eu não era uma empresa de Internet, se 90% dos meus negócios eram nesse ramo. Então, o cartão de crédito ajuda a desmistificar. Vou para uma reunião e mostro o cartão, o que dá uma visão diferente. Estamos bem focados no mercado de consumidor final, em ser a empresa de fidelização do Brasil. Tem empresas que fazem pedaços do que a gente faz, mas ninguém faz o que a gente faz. Meu grande sonho, na verdade, é fazer com que a moeda Dotz faça parte da vida de todo mundo, em todo lugar. O que não me faz desistir do Dotz em nenhum momento é isso.
C&S Você acredita no potencial.
RC - Não tem quem faça isso no Brasil. Têm milhas. Mas é restrito a um pequeno percentual de pessoas. Não tem nada parecido com a moeda Dotz. Você ganha e compra produtos e serviços, compra produtos diferentes. Acho que a Dotz, num estágio de 0 a 10, está no dois. Tem um baita de um caminho pela frente.
C&S E no mercado corporativo?
RC Nossos clientes, quem paga a conta, são as empresas. O mercado corporativo é algo em que a gente já entrou, mas hoje a gente não quer entrar. Isso não significa que eu não faça projetos. A gente faz projetos já, só não quer ter o foco nisso. Não queremos ter o foco em ser uma empresa que faz incentivo para funcionários, por exemplo, porque é um mercado muito concorrido e muito diferente. A minha plataforma permite fazer qualquer uma das coisas, se o cara chegar aqui querendo fazer, eu faço. Agora, o meu foco é o consumidor final.
C&S Lá no início, como foi a conquista dos usuários?
RC Eu não tinha verba de marketing, não tinha nada. E aí tem total relação com a estratégia ligada à Internet. Então a idéia era: estou criando um programa e uma moeda. Essa moeda, para existir, precisa estar presente. Por que uma moeda é relevante? Para ela ter relevância, você precisa ter ela no bolso, precisa ter uma quantidade de moedas e elas precisam ter um pode de compra bom. Ela tem de poder comprar algo que você queria, seja o que for. O nosso primeiro desafio era: como eu faço para essa moeda ser distribuída por aí?. Eu não tinha uma verba de marketing para gastar uma fortuna e montar um cadastro para a Dotz. Onde era o mercado em que eu conseguia pegar potenciais consumidores de um poder aquisitivo alto? Precisávamos de um ambiente fechado. Pensamos num shopping, mas um shopping não daria muito, porque são poucas pessoas e para atingir todas íamos gastar muito com marca. Aí pensamos em Internet, que podia ser porque é uma plataforma aberta, mas concentrada. E, ao mesmo tempo, eu precisava de clientes, pois eu sou uma ferramenta de fidelização e retenção para os meus clientes. Aonde existia, na época e ainda hoje, uma necessidade maior de se trabalhar isso? Na Internet! Você pega uma Americanas, por exemplo: lá no mundo físico já está faturava os seus milhões. Na Internet, quando começou, ainda não. Ela precisava de diferenciais. A gente foi muito feliz nessa hora, foi um dos momentos importantes do nosso sucesso. Conseguimos formar uma rede de parceiros, com todos as principais empresas de Internet. Isso acabou formando um potencial diferencial muito grande. Nós fizemos um acordo com eles, em que os clientes das empresas eram convidados a participar da Dotz. Então, em seis meses, eu já estava com 200, 300 mil pessoas, com um custo de aquisição muito baixo. Foi aí que eu consegui começar a rodar. Porque aí eu tinha um círculo virtuoso: tenho bastante gente, com isso tenho várias empresas querendo participar do programa, com elas eu tenho uma moeda que vale muito e mais gente vai querer participar. Foi uma estratégia que se mostrou bem-sucedida naquele momento e ainda hoje, pois vários parceiros daquele tempo continuam conosco.
C&S Qual o perfil de quem trabalha na Dotz?
RC Isso é outra coisa em que fomos bastante felizes. Não tenho dúvidas de que a gente só chegou hoje a esse estágio e passamos por todas as dificuldades, porque montamos um time de empreendedores. Quem está aqui, não está porque a Dotz dá status. Não está aqui pelos benefícios que a Dotz dá, não estão aqui porque ganham mais do que no mercado. Estão aqui por uma razão muito simples: porque acreditam que esse é um projeto desafiador, diferente e querem construir juntos. Ninguém está aqui por segurança. Esse perfil de empreendedor acabou acontecendo naturalmente. Teve muita gente que veio parar aqui, que eram extremamente competentes, mas que não conseguiram se adaptar. Chegamos a contatar gente da Microsoft, de empresas de consultoria, que vinham aqui, mas não deram certo. Era uma questão de adequação de perfil. Hoje, na hora de contratar alguém, além da questão da competência, temos que perceber isso: se a pessoa tem o perfil de trabalhar em um lugar que ainda está se formando. Aqui não têm baias dividindo o escritório porque achamos bonitinho. Não tem baia porque não achamos que era hora de investir em baia. Isso mostra um pouco da nossa postura.
C&S Qual foi a maior dificuldade que você encontrou na trajetória da Dotz?
RC Acho que a gente tomou algumas atitudes de crescer muito antes da hora. Nós nos tornamos uma multinacional ser isso efetivamente. Nos últimos 15 meses, decidimos diversificar um pouco a estratégia e isso foi um equívoco grande. Esses são os dois principais problemas, que geram conseqüências.
C&S E qual o maior acerto?
RC - Não desistir. Era muito fácil ter desistido. Hoje eu digo que é um acerto, daqui alguns anos posso não pensar assim (risos). Fui irresponsavelmente perseverante. Hoje, eu tendo a achar que estou sendo assim. Não que eu ache bonito ou feio o que estamos fazendo, mas eu acredito que o nosso negócio tem potencial. Com certeza está demorando muito mais do que eu gostaria (risos). Todo dia antes de dormir eu penso se o que estamos fazendo é uma loucura e até hoje não cheguei a nenhuma conclusão (risos). Enquanto eu não me internar ou não me internarem, eu continuo (risos).
C&S Essa determinação toda acaba gerando um comprometimento muito maior com o negócio, você acaba vivendo para isso...
RC Eu não tenho dúvidas de que é assim mesmo. E não tem outra forma que não seja essa. Todo empreendedor vive o seu negócio 24 horas por dia e isso não é algo ruim. Eu gosto de chegar em casa e ter idéias. Lógico, precisa saber dosar, para não virar um maluco.
C&S Falando nisso, você acha que em algum momento correu o risco de virar esse maluco e só pensar em trabalho?
RC Sim, mas aí tem a minha esposa e minha família. Eu me policio e sou policiado nesse sentido. Cheguei a parar de fazer esporte, chegar em casa e a primeira coisa a fazer era ligar o computador, acordar e ligar o computador. Não tenho a menor dúvida que sou viciado em e-mail. Mas não tenho a menor dúvida também de que é fundamental ter um balanço.
C&S Qual a importância da família para você?
RC Bom, eu tenho dois filhos: uma menina de dois anos e um filho recém-nascido. Para mim, família em primeiro lugar. Sou totalmente dedicado à minha família. Quando a minha filha nasceu, eu saía todo dia daqui mais cedo para conseguir dar o banho nela. Agora, com o meu filho é a mesma coisa. Você passa a se organizar melhor. Minha vida ficou muito mais preenchida, mas muito mais gostosa.
C&S Deixe uma mensagem para os empreendedores do Brasil
RC Não tem certo, nem errado tudo depende do perfil de cada um. Eu discordo completamente de quem diz que empreendedor é só quem nasce com esse dom. Você aprende a ser empreendedor sim. Se a pessoa quer efetivamente criar um negócio próprio, vontade é fundamental, mas só vontade não resolve. A pessoa tem que treinar para ser o melhor e hoje há meios para isso. Eu não tenho a menor dúvida de que, se eu tivesse me preparado melhor, não teria cometido alguns erros. Talvez tivesse cometido outros (risos).
Roberto Chade demonstra uma inquietude típica daqueles que tem a cabeça fervendo com grandes idéias. Sua história comprova que com vontade e determinação, sem esmorecer diante das dificuldades, é possível ter muito sucesso na carreira.
Para saber mais e participar da Dotz, entre no site do Programa Dotz: www.dotz.com.br |
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por Thiago Costa, Grupo Catho |
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